Contrato de Freelance Grátis
O contrato de freelance é essencial para proteger tanto o profissional autônomo quanto o cliente em projetos pontuais. Ele define escopo, entregas, prazo, valor, direitos autorais e número de revisões — pontos que costumam gerar as maiores disputas em trabalhos digitais. Este modelo grátis é ideal para designers, desenvolvedores, redatores, editores de vídeo, ilustradores, fotógrafos e qualquer profissional que preste serviços digitais por projeto. Preencha os campos e receba o PDF pronto para assinar. Todas as cláusulas seguem o Código Civil brasileiro e as boas práticas do mercado digital.
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Quando usar este contrato
Todo freelancer já ouviu "faz só um ajustezinho" três semanas depois da entrega. O contrato de freelance existe para transformar essa conversa em algo objetivo: o que estava no escopo, quantas rodadas de revisão foram contratadas e a partir de que ponto o pedido vira novo orçamento.
Enquanto o contrato de prestação de serviços é genérico e cobre qualquer atividade autônoma — do contador ao eletricista, muitas vezes de forma contínua e mensal —, este modelo é desenhado para projetos digitais entregues por peça: identidade visual, site, aplicativo, campanha, edição de vídeo, texto, tradução, ensaio fotográfico. Muda o eixo do documento: em vez de descrever uma atividade ao longo do tempo, ele descreve arquivos, formatos, versões e datas de entrega.
Por isso três blocos ganham peso aqui e quase não aparecem no modelo genérico. O primeiro é a propriedade intelectual: quem executa nasce dono da criação, e o cliente só passa a poder explorar comercialmente o material se houver cessão escrita de direitos patrimoniais — com definição de quais peças, para quais mídias, por quanto tempo e se há exclusividade. O segundo é a política de revisões: número de rodadas incluídas, prazo do cliente para consolidar comentários e valor da rodada extra. O terceiro é o pagamento por etapas, que casa desembolso com progresso: sinal na assinatura, parcela intermediária na aprovação do conceito e saldo na entrega dos arquivos finais.
O documento gerado é curto de propósito — deve ser lido inteiro em cinco minutos. Ele traz entregáveis descritos por formato, cronograma vinculado às respostas do cliente, marcos de pagamento, multa e juros por atraso, cessão de direitos condicionada à quitação e autorização (ou vedação) de uso do trabalho em portfólio.
O que este contrato deve conter
- Escopo detalhado do projeto
- Entregas previstas e formato de arquivos
- Cláusula de direitos autorais (licença ou transferência)
- Número de revisões incluídas
- Valor, forma e cronograma de pagamento
- Prazo de entrega e efeitos de atrasos por falta de feedback
- Cláusula de confidencialidade
- Regras de rescisão e reembolso
Base legal
Freelance não é uma categoria jurídica autônoma no Brasil. O contrato se sustenta em três frentes:
- Código Civil, artigos 593 a 609
- Aplicam-se as regras da prestação de serviços: liberdade para contratar o objeto, pagamento após a conclusão quando nada foi combinado e possibilidade de rescisão com aviso prévio.
- Lei 9.610/1998 — direitos autorais
- A criação nasce pertencendo a quem criou. O artigo 49 exige que a cessão de direitos patrimoniais seja feita por escrito, e o artigo 24 mantém com o autor os direitos morais, como o de ter o nome associado à obra. Sem cláusula de cessão, o cliente compra o arquivo, não o direito de explorá-lo livremente.
- Lei 9.609/1998 — software
- Programas de computador têm regime próprio. Quando o código é desenvolvido sob encomenda fora de relação de emprego, a titularidade depende do que estiver escrito no contrato.
- Código Civil, artigo 389
- O inadimplemento gera perdas e danos, juros e correção. É o que fundamenta a multa e os juros por atraso previstos no modelo.
Erros comuns
O que costuma dar errado em projetos freelance quase nunca é má-fé — é ausência de combinado:
Revisões ilimitadas por omissão
Se o contrato não diz quantas rodadas estão incluídas, o cliente entende que pode pedir quantas quiser. Fixe o número e o preço da rodada extra.
Começar sem sinal e sem briefing aprovado
Entrada de 30% a 50% filtra cliente indeciso e cobre o custo do trabalho já feito se o projeto for abandonado no meio.
Não amarrar o prazo às respostas do cliente
Cronograma só funciona com contrapartida: escreva que cada dia de atraso na aprovação empurra a entrega no mesmo número de dias.
Entregar arquivos abertos antes do pagamento final
Vincule a cessão de direitos e a entrega dos arquivos editáveis à quitação integral. É a garantia mais eficaz que um freelancer tem.
Freelance, prestação de serviços genérica ou pejotização
Formatos vizinhos, riscos bem diferentes:
Contrato por projeto (este modelo)
Um escopo, um prazo, um preço, entregáveis digitais nomeados e cessão de direitos atrelada ao pagamento final. Encerra-se com a entrega aprovada.
Prestação de serviços genérica
Modelo mais amplo, para qualquer serviço autônomo — consultoria, obra, manutenção, assessoria contábil —, normalmente medido por período ou por atividade contínua. Não trata de rodadas de revisão nem de titularidade de obra criativa, então serve mal a projetos digitais.
Contrato guarda-chuva com ordens de serviço
Assina-se uma vez as condições gerais e cada novo job entra como anexo com escopo e valor próprios. Reduz burocracia para clientes recorrentes.
Retainer mensal
O cliente paga um valor fixo por mês por disponibilidade ou por um pacote de horas. Aproxima-se da prestação de serviços contínua e exige regra clara sobre horas não usadas.
PJ com exclusividade e horário
Quando o freelancer trabalha só para um cliente, cumpre jornada e recebe ordens diretas, o formato deixa de ser autônomo e cria risco real de reconhecimento de vínculo.
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